Publicado em agosto 13, 2019

Saiba como incluir o storytelling na sua estratégia de Gestão de Pessoas

Se tem uma coisa que todo profissional de RH tem pavor é descobrir que a maioria dos colaboradores acharam um treinamento interno muito chato. Às vezes, essas respostas sinceras não são informadas nos formulários de avaliação do treinamento, mas são assuntos da famosa ‘rádio corredor’.

Mas pior do que ter um treinamento entediante é planejar uma ação que não vai fixar na cabeça dos funcionários de forma positiva. Então, para criar ações de Gestão de Pessoas inesquecíveis, estudiosos indicam a inclusão do storytelling não só na capacitação interna, mas também nas estratégias de recrutamento e seleção e na cultura organizacional.

Mas se você não sabe o que significa esse termo, não tem problema! A gente explica tudo sobre esta técnica e como você poderá adaptá-la no seu planejamento de RH. Confira!

Afinal, o que é storytelling?

É uma palavra em inglês que significa “contar histórias”. A boa notícia é que todos nós já fomos impactados por algum enredo emocionante e inesquecível. Se você já ficou empolgado para assistir alguma série ou filme, por exemplo, o storytelling impactou você. Não é à toa que o termo “maratonar” ficou tão popular nos últimos anos.

O storytelling é a arte de trazer narrativas que se tornam inesquecíveis com técnicas inspiradas em escritores e roteiristas. Esses relatos precisam desenvolver e transmitir uma mensagem que se conecta com os espectadores. Um bom storyteller (contador de histórias) é capaz de adaptar e desenvolver relatos utilizando o personagem, ambiente, conflito e uma mensagem. Ele encadeia as ideias para desenvolver um ótimo começo, meio e fim.

Em quais áreas de Recursos Humanos é possível incluir o storytelling?

Você pode utilizar essa técnica nas estratégias de treinamentos internos, recrutamento e seleção e na cultura organizacional para torná-los mais eficazes.

De que forma?

Em relação à capacitação dos colaboradores, crie uma história com algum funcionário que já participou do treinamento para fazer a divulgação. A pessoa escolhida pode falar sobre a superação que ela teve na vida profissional ou pessoal. Essa opção pode ser uma boa alternativa para os convites formais enviados por e-mail.

Com o storytelling você também pode melhorar o sentimento de pertencimento e contribuição ao incluir essa estratégia no fortalecimento da cultura organizacional. Tente utilizar as conquistas e as histórias da companhia que têm a ver com a contribuição dos funcionários para criar uma narrativa que gere identificação e melhore a relação dos colaboradores com a empresa.

Também é possível usar essa técnica em processos de Recrutamento e Seleção. Fazer publicações no LinkedIn utilizando esse recurso pode ajudar na divulgação da marca e atrair os talentos que se identificam com a missão, visão e valores da empresa. Faça uma breve história sobre o cargo que está com vaga aberta. Fale um pouco da empresa, ressalte as vantagens e os benefícios que a pessoa terá caso ela venha trabalhar na companhia.

Como gerar histórias que impactam?

Quando você for estudar mais a fundo sobre o assunto, vai ver que existem várias estruturas de storytelling no mercado. Abaixo, nós iremos detalhar o tipo mais comum de narrativa: a cronológica.

Cronológica:

A forma mais simples é a estruturação da narrativa em passado, presente e futuro. Para descrevê-la, usamos como exemplo uma ação de storytelling em treinamento interno, mas você pode adaptar essa mesma estrutura em outros objetivos.

Confira o passo a passo da ação:

Cronologia no Storytelling.

Como colocar em prática essa técnica?

Selecionamos algumas dicas para você adaptar o storytelling de maneira muito mais simples no seu dia a dia. Elas são:

  • Preze pela simplicidade:

Crie ou conte histórias diretas com uma mensagem clara. O relato não precisa ser muito longo e nem deve ter muitos devaneios. Para isso, você deve compreender a visão do seu público-alvo e ter em mente: quais são as suas dores; seus desejos; seus objetivos e seus principais desafios.

  • Crie histórias que gerem identificação:

As narrativas precisam ter alguma conexão com a vida dos colaboradores no melhor estilo “gente como a gente” para gerar identificação. Se você conhece algum funcionário que começou a vida profissional em um cargo mais humilde da empresa e hoje é líder de um setor, use-o como um modelo de superação.

Saber onde ambientar a história também é importante. Por exemplo, caso você escolha criar uma narrativa fictícia, o cenário necessita contemplar algo que esteja relacionado com a sua visão de mundo e a do seu interlocutor. Deste modo, torna-se muito mais fácil realizar a identificação e o aprendizado será muito melhor.

Outra ótima dica é, após identificar as dores e os desafios da persona, iniciar um trabalho focado no conflito central. A ideia é inserir materiais e também propor soluções e não apenas pontuar a dor. Crie um cenário onde possa expor todos os problemas enfrentados, incluindo seus agravantes, caso a dor não seja sanada. Desenvolva também uma espécie de jornada com o intuito de apresentar as possíveis soluções.

  • Seja verdadeiro e engaje a participação dos colaboradores no storytelling:

Crie histórias que tenham informações verídicas ou situações com dimensões possíveis. Isso é mais importante do que desenvolver fatos que servem para emocionar as pessoas. Se você quiser criar personagens e ambientes ficcionais, o ideal é deixar bem claro no começo da narrativa.

Algumas pessoas possuem experiências de vida maravilhosas, mas têm medo de contá-las em público. Se você for fazer um vídeo, tente explicar quais são os objetivos dessa ação. Fale que se trata de apenas uma conversa e reforce que ela pode ficar à vontade.

Jornada do Herói

No livro, “O Herói de Mil Faces”, o escritor Joseph Campbell descreve o Monomito, ou como é popularmente conhecida, a “Jornada do Herói”. Um case baseado em um estudo que nos mostra que existe um padrão dentro das melhores histórias que hoje conhecemos.
Campbell estabelece que todas as narrativas possuem um herói central, que pode ser um Superman, por exemplo, ou mesmo um herói mais real ou subjetivo. O autor também revela que esse herói costuma enfrentar diversas situações e elementos que são padronizados em milhares de contos inspiradores. São eles:

  1. Introdução: é algo muito importante na estrutura de uma história. É a parte na qual é preciso iniciar o personagem, localizá-lo no ambiente e espaço-tempo.
  2. Apresentação do problema: esta fase precisa vir logo após a introdução. Mas lembre-se, a única intenção é que a problemática consiga iniciar uma identificação direta junto à persona.
  3. Reação ao problema: é o momento em que o herói é confrontado pela dimensão de seu próprio desafio. Aqui temos a apresentação dos empecilhos que poderiam desencorajar o protagonista.
  4. Encontrando ajuda: é o momento de lucidez do herói, fase em que ele encontra ajuda, um auxílio para sair do problema.
  5. Superação em etapas: pouco a pouco, o herói entende que, mesmo recebendo ajuda, superar seus problemas é algo que precisa ser feito por etapas. Ele percebe que nada é tão fácil e, por isso, é importante criar uma estratégia, ter foco e persistência, pois os problemas sempre irão existir.
  6. Prova final: depois de entender suas limitações e oportunidades, está na hora do herói ir adiante. É a fase em que ele desafia todos os seus medos e acredita que, sim, ele irá vencer.
  7. Conclusão: após o período de superação, a história deve apresentar a ideia por trás de tudo e responder algumas questões tais como: qual foi a lição aprendida? Quais pontos devemos guardar? Quais são as próximas etapas?

Exemplo de um Storytelling bem construído

Exemplo de Storytelling da “Always”.

Na campanha “Lute como uma garota”, a marca Always decidiu apostar alto e fez uso de ideias e frases pejorativas como uma forma de construir uma narrativa de transformação “você está fazendo isso como se fosse uma menina”. A campanha em si foi um sucesso, pois além de reforçar a marca para o seu público, a Always conseguiu atingir um status de engajamento social com uma mensagem de luta contra o machismo e o preconceito. Ou seja, a maneira de passar a mensagem foi tão efetiva, que de 2014 pra cá, o vídeo continua sendo referência quando falamos de cases de sucesso no formato de storytelling.

Como você pôde ver, existe um passo a passo para incluir o storytelling nas ações da área de Gestão de Pessoas. A forma de contá-la fica a seu critério. Pode ser em vídeo, texto, e-mail marketing, etc. Também é possível preparar uma apresentação para guiar o storyteller durante o relato de uma palestra ou treinamento. Todos esses recursos, se bem utilizados, podem garantir o sucesso das suas estratégias e entregas.

Agora que você já sabe como estruturar uma história inesquecível, leia o nosso artigo sobre como manter os funcionários mais motivados.

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