Publicado em agosto 28, 2019

A atuação feminina no mundo corporativo

Há algum tempo as mulheres vêm garantindo cada vez mais seu espaço dentro do mercado de trabalho. Foram anos de muita luta e conquistas femininas através da história, que tiveram como único objetivo: melhorar a participação delas dentro do universo corporativo. No entanto, apesar dos avanços, ainda existem desigualdades que precisam ser combatidas, como a predileção para a seleção de homens para altos cargos de liderança e um salário equiparado no caso de posições com a mesma competência e hierarquia.

Um estudo realizado pela empresa Mckinsey & Company (2015) sobre 60 companhias norte-americanas revelou que, apesar de uma presença mais constante da mulher no comando das grandes empresas, ainda existe uma sub-representação delas em cargos de nível sênior, tal como posições de alta gerência, executivas, chief executive officer (CEO), chief operations officer (COO), chief financial officer (CFO) etc.

O LinkedIn também abordou o tema em uma pesquisa realizada em 2017. De acordo com a plataforma, existe uma média global de apenas 25% dos cargos de liderança comandados por mulheres. Já entre os países com maior concentração feminina em posições de topo temos Canadá, Estados Unidos e França. Em último lugar, temos a Índia, com uma presença de apenas 17,1% de mulheres, apesar deste país ter apresentado um dos maiores crescimentos (25%) de mulheres em cargos de chefia entre 2008 e 2016.

Cena brasileira

No Brasil, este quadro não é muito diferente, afinal, ainda existem poucas mulheres em posições de CEO, diretoria executiva, board ou mesmo lideranças de segunda linha. Somente 4,5% dos diretores de board de companhias brasileiras são do sexo feminino – quadro abaixo da média de 7,2% em países considerados emergentes (GMI RATINGS, 2012)-. Outra estatística, desta vez divulgada pela BBC BRASIL (2016), pontuou o Brasil como o 85º no ranking do índice de desigualdade de gênero (IDG). No comparativo, o país esteve atrás de outros como Nicarágua (50º) e Bolívia (65º).

Elas trabalham mais e ganham menos

De acordo com dados do estudo de Estatísticas de Gênero divulgados pelo IBGE (2019), as mulheres possuem uma carga horária de trabalho efetiva, em média, de 3 horas por semana a mais do que os homens, somando ofícios remunerados, tarefas domésticas e cuidados de pessoas. E, mesmo ainda contando com um nível educacional mais alto em relação à parcela masculina, elas ganham, em média, somente 76,5% do rendimento deles.

Este quadro também acaba sendo influenciado por diversos fatores. Por exemplo, em 2016, elas se dedicavam, em média, um total de 18 horas semanais para afazeres domésticos e cuidados de pessoas, sendo 73% a mais do que os homens, que dispõem de apenas 10,5 horas trabalhadas. Esta situação explica o motivo das mulheres serem as que mais se dedicam, por exemplo, a trabalhos remunerados parciais, de até 30 horas por semana. Um panorama que contempla o dobro da parcela masculina, ou seja, temos 28,2% delas contra 14,1% deles.

Mais mulheres, mais inovação

Em entrevista ao Estadão, em 2016, a diretora global de diversidade e inclusão do Grupo Maersk, Rachel Osikoya, ressaltou que a diversidade de gênero dentro do quadro corporativo é algo crucial para que uma empresa possa prosperar. Osikoya baseou-se em um estudo promovido pela consultoria McKinsey, que identificou que companhias com uma alta diversidade nos cargos de topo possuem melhores atuações no ambiente corporativo, o que também favorece na habilidade de inovação e desenvolvimento de talentos. Ainda segundo a pesquisa, quando existe uma composição heterogênea nos altos escalões, a probabilidade da empresa ponderar diferentes visões de negócio, além de questionamentos e soluções efetivas, é muito maior.

Rachel Osikoya (Foto: reprodução Jyske Bank TV).

Rachel também revelou que, apesar de existir uma tentativa recente de debate sobre a promoção da diversidade nesses setores, a tendência ainda não é sentida de maneira geral dentro das empresas. Neste quesito, Osikoya também pontuou que a maneira mais efetiva para resolver tais questões seria a inclusão desses princípios como base no núcleo das companhias. Sendo que, no caso da Maersk, além de haver uma “cota” de, ao menos, uma mulher na concorrência para cargos mais altos, também existem ações de incentivo e desenvolvimento feminino na empresa, principalmente as que ainda se encontram nos níveis juniores. Segundo Rachel, tais ações irão automaticamente refletir no retorno de bons profissionais, já que o colaborador irá identificar a companhia como uma oportunidade de investimento e crescimento na carreira.

Líderes mulheres para se inspirar

Mary Barra, CEO da GM

Mary Barra (Foto: reprodução Twitter @mtbarra).

A norte-americana Mary Barra tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO em uma montadora de nível global, a General Motors. Barra assumiu o cargo em janeiro de 2014.

Na ocasião, o seu até então mentor, Dan Akerson (ex-CEO da GM), resolveu apostar em Mary depois de identificar um alto potencial nela. Akerson a tirou do setor de RH e a levou para assumir o setor de Compras e Cadeia de Suprimentos, cargo mais alinhado à sua formação, engenharia elétrica. Pouco tempo depois ela foi nomeada CEO da companhia, inclusive sendo considerada uma das pessoas mais influentes pela revista Times, em abril de 2014.

Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook

O Facebook é uma das redes sociais mais poderosas do mundo, disso ninguém tem dúvidas. No entanto, seu sucesso e crescimento não se deve apenas ao talento de Mark Zuckerberg, mas também de sua equipe, em especial da diretora de operações, Sheryl Sandberg

Foi Sheryl quem contribuiu efetivamente para transformar o Facebook em uma rede social rentável, atraindo centenas de investidores ao redor do mundo. Antes disso, ela havia sido vice-presidente de vendas e operações do Google. Sheryl também é constantemente citada na lista dos mais poderosos da Forbes.

Ana Patricia Botín, presidente do Grupo Santander

Ana Patricia Botín-Sanz de Sautuola O’Shea é a atual presidente executiva do Grupo Santander, sendo nomeada para o cargo em 10 de setembro de 2014. Antes disso, Botín havia exercido a posição de CEO do Santander no Reino Unido.

Em 2005, Botín foi classificada pela revista Forbes como a 99ª mulher mais poderosa do mundo, porém quase sempre ela aparece na lista dos mais poderosos da revista.

E aí, curtiu o nosso conteúdo? Conheça mais sobre o mundo corporativo acompanhando o nosso blog. Se quiser, assine a nossa newsletter para ficar por dentro de tudo.

Categorias:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *